A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, acusou o Irã de apoiar a Síria em sua brutal repressão militar contra opositores políticos. Em uma declaração divulgada em Washington, a chefe da diplomacia americana afirmou nesta terça-feira que a cumplicidade do Irã nos abusos coincide com os dois anos do aniversário da repressão contra os manifestantes que denunciaram como fraude a reeleição do presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad.
A declaração não detalha que tipo de assistência o Irã estaria fornecendo ao regime do presidente sírio, Bashar Assad. "O Irã apoia hoje na Síria os ataques brutais do regime de Assad contra manifestantes pacíficos e as ações militares contra suas próprias cidades", afirmou.
"O mundo ficou impressionado com as imagens de um adolescente sírio de 13 anos, torturado e mutilado pelas forças de segurança síria. Essas imagens nos recordaram as de uma jovem iraniana, morta na rua há dois anos e na frente de todos", completou, referindo-se a Neda Agha Soltan, cujos últimos momentos de vida foram gravados e divulgados na internet, tornou-se um poderoso símbolo para os manifestantes que exigiam maior liberdade em seus países.
No texto, Hillary afirma que os Estados Unidos permanecem ao lado dos cidadãos, "incluindo os do Irã e da Síria, que aspiram a liberdade e a exercer seus direitos universais".
Previamente, a Grã-Bretanha tinha feito acusação similar contra o Irã. Segundo o governo britânico, há "informação digna de credibilidade indicando que o Irã está ajudando a Síria a sufocar os protestos, incluindo o fornecimento de orientações e equipamento".
Segundo ativistas, mais de 1,4 mil sírios morreram e mais de 10 mil foram detidos desde o levante popular iniciado em meados de março. Uma das entidades, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, afirma que mais de 300 soldados e policiais também morreram.
Nesat terça-feira, depois da ofensiva na cidade de Jisr al-Shughour, no norte do país, tropas sírias avançaram em direção à cidade de Maaret al-Numan, usando tanques e helicópteros. A ofensiva no norte do país tem levado à saída em massa de refugiados sírios para a Turquia, que temem repressões e prisões.
Irã acusa Ocidente de intromissão
Após as acusações dos países ocidentais de que o Irã estaria ajudando o governo da Síria a esmagar manifestantes de oposição, Teerã acusou os aliados de Israel de interferência nos assuntos internos sírios. "Alguns regimes com objetivos específicos, especialmente o regime sionista e a América, estão provocando grupos terroristas na Síria e na região para que realizem operações terroristas e de sabotagem", disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast.
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